sexta-feira, 2 de novembro de 2012


"Me busco em músicas que dão ritmo ao que sinto de forma silenciosa e me busco em trechos de livros que revelam ideias que mantenho ainda embaralhadas. (...) Me busco quando me aquieto pra escutar meus pensamentos, que não são retos, certos, fáceis, e sim espasmódicos, contraditórios, provocativos, ora estão ao meu favor, ora estão contra, e por isso me desencontro. Então escrevo, me busco em frases feitas e frases inventadas, colocando uma palavra atrás da outra na tentativa de construir uma lógica, um atalho, uma emoção que eu consiga sustentar e repartir, e depois fecho o computador me busco no sono, nos sonhos, no inconsciente, do meu lado noturno, sombrio, quando perco a coragem e tudo me amedronta, a começar pelo fato de que o dia terminou e a busca não se encerrou, nem irá, porque esse tipo de busca não se encerra."

(Martha Medeiros – Coisas da vida) 
 da crônica: Ferramentas de busca

2 comentários:

Denise Portes disse...

Luzia,
Nós os sensíveis vivemos nessa eterna busca, por isso gostamos tanto um dos outros kkk
Saudades daqui.
Beijos
Denise

Paulo Sotter disse...

Essa busca é mesmo constante, é a procura de algo que nos defina, em palavras, em sons, em imagens. Uma inquietude de querer a todo o custo encontrar a si próprio. Bom domingo Luzia. Um abraço